Pouco se fala, pouco se estuda nas escolas, pouco se conhece na cultura geral brasileira: a construção da capital federal, em 1960, ocorreu em um dos períodos mais conturbados da história da República Brasileira, que contava com pouco mais de seis décadas à época da eleição do candidato Juscelino Kubitschek, em 1955.
As perturbações eram múltiplas, assim como as interpretações possíveis daquelas interferências. No plano político, o país, na década de 1950, ainda estava sob forte influência da chamada Era Vargas (1930–1946), das diferentes vertentes militares do movimento tenentista (década de 1920) e do delicado jogo político no Congresso Nacional.
A Era Vargas foi um período crucial para o Brasil contemporâneo. Naqueles quinze anos, o país se industrializou; foram definidas as regras trabalhistas, assim como se consolidou o processo definitivo de urbanização do maior país sul-americano. Aquele mesmo período foi também controverso em termos políticos. O presidente Getúlio Vargas (1882–1954) chegou ao poder por meio de um golpe de Estado, apoiado por setores militares comprometidos com a modernização das estruturas econômicas e políticas do Brasil — então governado por oligarquias rurais. Após um breve momento de reformas, em 1937, o governo Vargas inaugurou a ditadura do Estado Novo, permanecendo no poder até 1946.
Seu governo, embora não democrático, foi bastante popular entre os mais humildes, rendendo a Vargas a alcunha de “Pai dos Pobres”. Sua reputação se manteve em alta, o que lhe rendeu a eleição como senador no período subsequente à gestão de Eurico Gaspar Dutra (1946–1951) e possibilitou sua volta como presidente eleito em 1951.
Seu retorno, sob os ventos da democracia, não foi fácil: fortíssima oposição de diversos setores forçou sua renúncia, seguida de seu suicídio em 1954. A sequência de eventos, a partir daí, foi dramática: após o suicídio de Vargas, o vice-presidente Café Filho (1889–1970) foi forçado a renunciar em novembro de 1955.
Com a renúncia de Café Filho, assumiu o presidente da Câmara dos Deputados, Carlos Luz (1894–1966). Luz estaria conspirando em favor do alto oficialato da Marinha e, ainda, faria parte de um plano para impedir a posse do presidente eleito, Juscelino Kubitschek, e de seu vice, João Goulart (1919–1976) — considerados, pelos militares, herdeiros de Getúlio Vargas.
Nesse clima tenso, o então ministro da Guerra, marechal Henrique Lott (1894–1984), promoveu um golpe “em retorno ao quadro constitucional vigente” poucos dias após Luz assumir a presidência, permitindo, assim, que JK tomasse posse.
Leitura sugerida:
FAUSTO, Boris. História do Brasil. São Paulo: Edusp, 2006.
ENSINO FUNDAMENTAL – ANOS FINAIS (6º ao 9º ano)
Área: História
Objeto de conhecimento:
- A ordem republicana e as transformações políticas, econômicas e sociais no Brasil no século XX.
- As lutas sociais, os movimentos populares e o papel das instituições democráticas e autoritárias.
Habilidades contempladas:
EF09HI08 – Analisar o populismo no Brasil e em outros países da América Latina como forma de articulação entre os governos e a população, reconhecendo seus efeitos sobre a organização das instituições democráticas.
EF09HI10 – Discutir os projetos políticos de nação no Brasil e seus reflexos no processo de modernização e urbanização.
EF09HI11 – Identificar e analisar os principais conflitos políticos e sociais do Brasil Republicano até 1964, considerando os sujeitos envolvidos, suas pautas e os desfechos.
ENSINO MÉDIO
Área: Ciências Humanas e Sociais Aplicadas
Componente: História / Interdisciplinar com Sociologia e Geografia
Competências específicas contempladas:
(1) Compreender os processos históricos de formação das sociedades modernas, incluindo a construção do Estado brasileiro e os regimes políticos (democráticos e autoritários).
(2) Analisar criticamente a atuação do Estado e das instituições públicas na história do Brasil.
(4) Identificar e discutir os impactos sociais e econômicos da industrialização e da urbanização no Brasil.
Habilidades específicas:
EM13CHS101 – Analisar a formação e a atuação das instituições políticas e os projetos de Estado-nação no Brasil.
EM13CHS202 – Avaliar os processos de industrialização e urbanização no Brasil e suas implicações nas relações sociais, culturais e ambientais.
EM13CHS401 – Investigar conflitos e disputas por direitos e formas de participação política e social no Brasil republicano.
Competências Gerais da BNCC
Competência 1 – Valorizar e utilizar os conhecimentos historicamente construídos sobre o mundo.
Competência 6 – Valorizar a diversidade de saberes e a vivência cultural.
Competência 9 – Exercitar a empatia, o diálogo e a resolução de conflitos com base no respeito e na promoção dos direitos humanos.
